sexta-feira, 26 de junho de 2015

Calendário: uma prática diária!




 Ser professor, pelo menos para mim, é nunca estar plenamente satisfeito. Como assim? Assim mesmo!!! Sempre quero uma forma melhor de ensinar. Não uma forma mais fácil, mas uma maneira de possibilitar a compreensão do aluno sobre determinado assunto ou sobre todos. 

 E há um tempo atrás eu pensava sobre a dificuldade das crianças, ainda pequenas,  em compreenderem a passagem do tempo através do calendário. E num desses momentos, compartilhei minha insatisfação com a inspetora de alunos da escola. Ela compartilhou uma lembrança comigo, e me fez repensar e mudar o rumo, de novo, de minha prática.

 Hoje trabalho como a professora da Ana Luíza fazia, com o calendário diariamente. Até aí, nenhuma novidade, certo? Muitos professores fazem isso, mas eu não fazia...

 Até tinha um calendário bonito de E.V.A na sala, todos os anos, mas não o utilizava corretamente. 

 Não tinha a funcionalidade que tem hoje.

 Agora, quando começa o ano procuro calendários para imprimir, dessa vez achei um no blog "Ler com Prazer" http://ler-com-prazer.blogspot.com.br/2015/01/calendario-2015-para-imprimir.html.



As cores ganham uma legenda para diferenciar ano,
  mês, dias com aula e dias sem aula.

 E sempre no primeiro dia do mês faço a análise do calendário com eles. Antes pergunto: O que é? Para que serve? Se eles têm contato com o calendário em casa? Faço uma sondagem. 

 O mês de fevereiro é sempre mais demorado, não vejo as crianças acompanhando os dias no calendário pessoal e ouço poucos alunos fazendo referência a ele durante as aulas.

 Mas, conforme o tempo vai passando, e vou fazendo toda a retomada dos conceitos, percebo a mudança deles em relação ao uso do calendário.

  Ele deixa de ser um conteúdo e passa a ser algo necessário para a vida deles, assim como para nós, adultos. 

 Os alunos, hoje, olham no calendário o dia do brinquedo, quando será aula de recreação, quando será o desafio que marquei com eles, quantos dias faltam para as férias, quantos dias vão ficar em casa...Tudo! 

 Não tive pressa, não dei um "pontinho" ou "matéria" sobre isso, apenas trabalhei diariamente e com uma função!

 Alguns alunos ainda não compreendem totalmente o funcionamento do calendário, cada criança tem seu tempo e eu espero que até dezembro, nessa prática diária, eles possam fazer as associações necessárias para que o aprendizado aconteça! 

   Durante esse processo os livros são ótimos e ajudam a consolidar o conhecimento. Esses são exemplos que já trabalhei: 

 Usei esse ano passado e sugeri uma produção bem legal, onde cada criança criou a sua semana, com suas características próprias e em forma de poema também:


A produção acompanha a mesma ideia do livro,que traz a semana de cada personagem
 de acordo com suas características pessoais

  "A quarta-feira de Jonas" é muito rico, faz ponte com vário temas, utilizei ele semana passada. O eixo principal foi a preservação, mas aproveitei para fixar os dias da semana.





 Os cadernos do Pacto trazem ótimas ideias também, são relatos de outros professores com práticas bem dinâmicas.


Utilizando o calendário como 
instrumento de pesquisa

Depois de anotar os aniversariantes de cada mês na
tabela, fizemos um gráfico de barras humano

Registro do gráfico


Transformando o gráfio de barras em gráfico de pizza


 O mais interessante é que dessa forma, além de trabalhar o calendário, pode-se trabalhar muitos outros assuntos, em aulas onde eles não têm um tempo programado ou apenas um texto explicativo.

 E assim, entendendo a função, envolvendo a emoção e com um toque de motivação o aprender acontece!

 E não se esqueça  de marcar no seu calendário que todo dia é dia de aprender!!! 


Um abraço e até mais!!!

sábado, 20 de junho de 2015

Planejamento, conteúdos e alfabetização: como dar conta de tudo?

Vamos planejar!

 Sempre têm aqueles alunos que falam: " Tia, passa continhas hoje!" ou "Vamos ver um filme amanhã" e têm aqueles que ainda dizem "Para de conversar, senão a tia vai passar mais dever!"
  
 Quando escuto isso, compartilho com as crianças meu caderno de plano, explico que aula daquela semana já está preparada, e que eu não invento na hora o que vou ensinar.

 Isso não quer dizer que meu planejamento é estático, já mudei atividades durante a aula, já percebi que o momento (de grande agitação) não era o melhor para aquele jogo que havia preparado, já deixei de dar alguma tarefa por faltar tempo e também já tive que acrescentar outras práticas no decorrer do dia.
 Acontece, e tem quer ser assim, afinal é um planejamento, não um manual que necessita ser seguido minuciosamente! 

 Planejar, ao contrário de alguns anos atrás, é um tarefa bem mais fácil hoje. A prática em sala me trouxe muitos aprendizados, com certeza, ela é minha maior ensinante.

 Alguns pontos me auxiliam durante o planejamento e é isso que quero compartilhar. Quem sabe alguma observação lhe serve também!

1º- Sempre procuro uma leitura para a semana e dela tiro os conteúdos que preciso, reviso alguns que já foram dados e introduzo outros para a próxima. Os exemplos vocês têm visto aqui no blog! 





2º - Leitura e escrita todo dia: coletiva, em dupla, individual, em forma de desafios, de jogos...

3º - Durante as atividades vou observando o que precisa ser fixado na próxima semana e anoto num bloquinho. Ali, vou apontando as maiores dificuldades, os pedidos deles, como filmes e jogos preferidos e ideias que surgem.

 Um exemplo é a atividade da corda http://numconstanteaprendizado.blogspot.com.br/2015/05/matematica-na-pratica-ii.html, realizei ela porque na semana anterior trabalhei sequência numérica e percebi uma grande dificuldade em alguns alunos.



 Assim, quando chega a sexta-feira tenho muitas anotações feitas, lembro de um livro ou texto que vai encaixar direitinho nelas e registro meu plano.

4º- Sempre visito a biblioteca à procura de novos livros, leio e vejo o que posso trabalhar com eles. Pesquiso textos sobre os assuntos que pretendo iniciar e vou "guardando"...

5º - Não paro a aula para alfabetizar, todo momento na sala é uma oportunidade de pensar sobre a leitura e a escrita. 

6º - Trabalho os fonemas e a ortografia sempre partindo do texto e uso, no decorrer da semana,  atividades diferentes para fixar o som da letra ou a regra ortográfica.

 Com essa história trabalhei o "QUE", puxando da palavra esqueleto.
 Na história do Chapeuzinho pensamos sobre a escrita de palavras com "CH". 


Aqui revisei as palavras com ão, oportunidade para fixar com os alunos que ainda tinham dúvidas de como fazer esse som! 



 Dessa forma, a cada semana apresento um novo fonema, alfabetização para quem está aprendendo a ler, ortografia para quem já sabe! 

7º -  Quase não uso folhinhas ou atividades prontas, retiro boa  parte do que preciso dos textos. Quando não encontro um "link" trabalho paralelamente o que é necessário.

8º - Utilizo sim os livros didáticos, eles também têm ótimas leituras, atividades matemáticas de fixação e servem como um importante instrumento de pesquisa para os alunos.

9º - Me organizo, sigo o projeto da escola, crio os meus dentro desse, e anoto o que é importante no meu plano. Faço um planejamento bimestral. Muitos conteúdos se repetem em todos eles, porque assim como as medidas de tempo e o sistema monetário, eles são trabalhados semanalmente e não em uma aula específica.

 E o mais importante:

10º - Escuto e observo os alunos. Presto atenção na fala deles, elas fazem brotar ótimas ideias;  utilizo suas sugestões de livros, filmes e atividades nas aulas que serão planejadas; reflito sobre o comportamento, a resposta deles durante as tarefas e vou adequando o que é preciso.

 Nesse ritmo, tem dias que a aula é maravilhosa, que tudo sai melhor do que o planejado e tem dias que penso: "Como fui inventar isso?" O que é bom, porque vejo o que não fazer novamente!

 Quando afirmo que a prática é nossa melhor ensinante, me refiro a uma prática reflexiva, onde você se questiona e encontra respostas.

 Ao criar o blog não o fiz para postar meu plano de aula detalhado ou todas as xerox da semana, até porque são duas ou três...Mas para dividir experiências, trocar aprendizados e compartilhar ideias que têm dado resultado.

 Hoje faço assim: planejo, alfabetizo e dou conteúdos à partir de livros e leituras!


E você? Como faz?

Compartilhe sua prática, divida seus saberes, some com os dos outros, diminua seus medos e multiplique aprendizados!!!


Até mais!!!

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Trabalhando a disciplina com os alunos

Compartilhando vivências


 Falar de indisciplina na sala de aula hoje é quase exemplificar o cotidiano de muitos professores e eu me incluo nesses! Sim! Isso porquê todo professor sabe: por mais formação, confiança ou conhecimento que ele tenha, a educação vem dos pais e da família; a escola apenas "formaliza" essa educação, ou deveria fazer somente isso... 

 Quem acompanha as postagens sabe que ano passado tive uma turminha do barulho... http://numconstanteaprendizado.blogspot.com.br/2015/04/roda-do-afeto-minha-turma-do-ano.html?spref=fb.

 Já sabia disso antes das aulas iniciarem, então fui pensando em estratégias que me auxiliassem e elas deram bem certo! 

 Estou fazendo de novo esse ano e posso dizer que aliadas ao respeito (conquistado) e a participação dos pais (quando necessária), são estratégias interessantes. 

 Essa turminha do barulho, que se tornou do coração, tinha o péssimo hábito de sair da sala sem pedir. Então logo no primeiro dia de aula, apresentei um dos aliados:


 Pareceu até mágica, nem eu esperava que desse tão certo... Para o aluno sair da sala, precisava me entregar a plaquinha e só poderia sair outra criança quando ele voltasse e a colocasse no lugar... No segundo bimestre já não foi mais preciso usá-la! Salvo uma exceção... Mas toda regra tem a sua!!!

 Com a turma atual não precisei utilizar! Ufa!!! Mas o quadro de honra, sim!

 Este é coisa séria! Só tem o nome fixado nele o aluno que realmente merece. Às vezes, quando foi só um deslize e o aluno pediu desculpas, até vai, mas nada de nota 10! Quem não respeita as regras não tem chance e não recebe as palmas da turma ao final da aula.  




  Acho que dá certo porque enquanto vou colocando os nomes, vou elogiando e observando o que precisa ser melhorado em cada um, sempre nos 10 minutinhos finais... E também, porque toda criança gosta de chegar em casa e dizer pra alguém que foi nota 10! 

 Outra ideia que dá muito certo, e que eu, antes de trocar experiências com alguns professores, achava que não era tão importante, é a rotina. 

 Hoje digo que ela é essencial, numa escola de tempo integral como a nossa então, contribui e muito.

 Com ela as crianças se orientam, sabem que hora podem descansar um pouco, em que momento será o bingo, além de ajudar no controle da ansiedade.

 Tirando as partes fixas da semana, o restante coloco como "atividades", pois não divido a aula em matérias e vou explicando: "Olha, essa última atividade será jogos matemáticos, a segunda será o livro de Português, e assim fazemos todos os dias. 

   
Utilizo velcro
 para fixar as partes
 Porém,  mais importante do que  o E.V.A  e o que ele representa, é o olhar do professor. Você pode ter tudo isso na sua sala e viver aos gritos ou pode não ter e ser admirado e respeitado por seus alunos.

É algo que está além da transmissão de conhecimentos, está no olhar, na escuta, na sensibilidade.

 E se sua turma estiver com cara de quem não aguenta mais e você também, pare um pouco a aula, converse, brinque, distraia e depois retome. 

 É diferente de perder tempo, é investir tempo.

 Super disciplinada, quieta, imóvel, minha turma nunca vai ser, não sou assim. Quem me conhece sabe o quanto sou agitada e falante. Mas não é isso o que busco, quero o respeito deles! Conquistando isso, o resto se torna mais fácil!

 Sempre é tempo de tentar algo novo! Observe sua turma e se pergunte o que está faltando, quem sabe ela não fica assim?



 Viva, esperta, ativa e com o foco no aprender!!!

  Sigamos todos aprendendo! Até a próxima!!!

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Alunos com distorção série-idade: e agora, o que fazer???

A história do leão que não sabia escrever


 Essa história é linda e a primeira vez que escutei, me apaixonei. Na época ela serviu como uma luva para um aluno que não demostrava muito interesse por ler e escrever. Esse ano recorri a ela novamente e com a mesma intenção: mostrar a importância da leitura e da escrita para a vida em sociedade.

 Ao final do primeiro bimestre recebi dois alunos na minha turma de 2º ano. No mesmo momento que olhei para eles me veio a pergunta: " Será que sabem ler?"

 A resposta, ao final da aula eu já sabia: Não! Até aí tudo bem, é comum ver alunos do 2º ano em processo de alfabetização, a única questão que chamou minha atenção foi a idade deles. O mais velho, com 12, chegou silábico e o outro com 9 era apenas copista, não identificava as letras do nome. 

 Nesse momento o professor faz uma escolha: Deixar prá lá, porque se não aprendeu ainda...Ou investir e acreditar!

Eu escolhi acreditar, mas também era preciso fazê-los acreditar em si!

 Como tudo começa na motivação correta, na semana seguinte iniciei a leitura do livro do leão. Ele conta a história do rei da floresta, que só precisava rugir para ter as coisas. Até que se apaixonou...A leoa era uma dama, lia livros. Agora tudo o que o leão sabia não adiantava de nada, o que ele queria mesmo era escrever uma carta para sua amada... Mas não foi tão fácil assim!


 O legal do livro é que ele abre um leque para discussões sobre a importância da alfabetização, da escola, do esforço pessoal e mostra que com dedicação e um pouco de amor todos podem aprender!

 Depois da leitura, no slide, porque ainda não tenho esse livro, fizemos um texto coletivo. Nesse dia trabalhamos a estrutura do texto e as palavras com ão.

 No outro dia, passei o texto para o cartaz com letra cursiva, pois muitos alunos já estão fazendo a troca e dessa forma, aos poucos os outros vão acompanhando também. Coletivamente, fizemos toda a análise: letra maiúscula, espaçamento, sinais de pontuação. Enquanto eles pintavam cada elemento com uma cor diferente, nós conversávamos sobre suas funções.




 No dia seguinte fizemos nossa segunda produção: os alunos tinham que imaginar que eram o leão e que ele já sabia ler e escrever e então fazer uma carta para leoa. 

 As produções são momentos onde mais faço mediações, sempre sento com os alunos com mais dificuldade e faço eles refletirem sobre o que querem escrever, leva tempo, mas dá certo!

 Essa produção foi baseada nos conhecimentos prévios, ainda não tinha explicado como se faz uma carta.

 Então, essa foi nossa tarefa: aprender a escrever uma carta de verdade. 

        

Comparamos o modelo com a carta escrita por uma das alunas no dia anterior e corrigimos o que foi preciso. Assim foi mais um dia.


 Era hora de colocar os conhecimentos em prática. Ensinei a fazer o envelope e disse que eles poderiam escrever uma carta para quem quisessem. Muitos seguiram a estrutura correta, utilizando até remetente e destinatário. 

 Essas foram para mim:


Foi mais um momento de pensar sobre a escrita!

Fechamos essa sequência com uma peça! Foi lindaaaa!!! Meus atores preferidos!

           

              

 Em meio as atividades do livro trabalhei outros conteúdos paralelamente. O mais importante é que nessa dinâmica de ler e escrever todo dia, os dois alunos progrediram bastante. 

 Um já está produzindo textos sozinho, está silábico-alfabético, lendo melhor a cada dia! O outro identifica algumas letras do alfabeto e seus sons, escreve silabicamente; com a mediação e  o esforço dele, já já tenho novidades!

 É preciso ler para que se aprenda a ler e escrever para que se aprenda a escrever. A reflexão deve ter lugar na sala de aula!

 Faça da sua sala de aula um espaço para reflexão!!! Crie suas estratégias e acredite nelas! 

                                     

 E se der certo, compartilhe! A troca é uma grande ferramenta de aprendizagem!!!

Obrigada por sua visita!!!